Pirólise

Existem vários processos de pirólise no mercado, que possuem características profundamente distintas quanto às condições de operação.

As soluções diferem principalmente quanto ao tipo de reator (leito fluidizado, leito fixo, tambor rotativo), quanto ao tempo de residência (flash pirólise 1s, pirólise rápida 2s, pirólise lenta 40min-1h) e temperatura (baixa 400°C, média 600-800°C, alta >800°C).

As diferentes condições de operação, por sua vez, resultam na obtenção de produtos diferentes. A carbonização por exemplo, que é um tipo de pirólise, obtém como produto final o carvão. Sob outras condições a pirólise produz principalmente um combustível líquido, chamado bio-óleo e em outras condições de processo é obtido principalmente gás, chamado gás de síntese ou syngas.

Os processos de pirólise utilizados para tratamento de Resíduos Sólidos que tiveram sucesso no mundo utilizam quase que exclusivamente a Pirólise Lenta a Tambor Rotativo, como os citados abaixo:

A Pirólise Lenta a Tambor Rotativo obteve uma análise extremamente positiva pelo Departamento de Comércio e Indústria (DTI) do Reino Unido e foi destacada como a melhor tecnologia de aproveitamento energético de Resíduos Sólidos Urbanos pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR), instituição de renome internacional pertencente ao Ministério Italiano MIUR.

Algumas das características listadas pelo CNR são descritas abaixo (Departamento de Energia e Transporte - Centro Nacional de Pesquisa (Itália) – Il ciclo integrato dei rifiuti in Campania: Prospettive e possibilità reali di applicazione):

  • Os sistemas de pirólise, ao garantir a ausência de ar, permitem alcançar eficiências termodinâmicas superiores e resultados de emissão melhores através da remoção de substâncias nocivas antes da fase de combustão;
  • Essa tecnologia é o único exemplo de processo (entre as os processos analisados) que é capaz de tratar o resíduo indiferenciado, sem qualquer pré-tratamento. Esta característica permite a redução da cadeia de gestão dos resíduos em um único processo e reduz ao mínimo a dependência de aterros para a disposição das cinzas;

  • Outro ponto positivo desta tecnologia é o fato que o combustível produzido (gás de síntese) é sensivelmente mais rico que o obtido através de processos de gaseificação, visto que não utilizam nenhuma forma de oxidação. Estas características tornam o processo ainda mais versátil e adequado para o aproveitamento energético;

  • Os modernos sistemas de pirólise desenvolvidos para tratar RSU são capazes de garantir resultados globais muito interessantes e superiores a outras tecnologias de transformação. É esse o caso de muitas das unidades citadas, as quais foram desenvolvidas por empresas renomadas mundialmente, não porque essa tecnologia tenha convencido estas empresas, mas porque efetivamente é a mais robusta em termos de flexibilidade em relação à composição dos resíduos e, considerando as despesas de tratamento, a que mais promete em termos de redução de custos totais de destinação;

  • É importante ressaltar o grande desenvolvimento numérico que esse tipo de tecnologia teve em países como o Japão, um país atento aos aspectos de aceitação das unidades de destinação de resíduos pela população, principalmente tendo em consideração a altíssima densidade populacional e a situação geográfica do país. Essas limitações impuseram ao país escolhas que limitassem ao máximo as emissões de poluentes diretos e do transporte de resíduos, reduzissem o número de fases de tratamento dos resíduos e eliminassem o uso de aterros para a destinação das cinzas;

  • O sistema pode ter dimensões reduzidas, podendo ser instalado em galpões relativamente pequenos no interior de áreas industriais;

  • O baixo impacto no ambiente permite a aceitação da população local;

  • Por viabilizar unidades relativamente pequenas, cada comunidade pode se responsabilizar pelo tratamento do lixo que produz, o que proporciona uma redução na produção de resíduos e uma diferenciação mais eficaz;

  • No caso de grandes centros é possível utilizar unidades em paralelo em zonas industriais existentes;

  • Prazos de construção e instalação muito curtos, por se tratar de equipamentos de construção simples, modulares, com montagem no local e obras civis reduzidas (normalmente a parte mais cara e demorada de um incinerador);

  • Robustez econômica com rápido retorno do capital;

  • Pode ser utilizado também no tratamento de alguns tipos de resíduos industriais;

  • Ótimo rendimento global de conversão dos resíduos em calor, com significativa produção de energia elétrica;

  • O sistema reduz a dependência de aterros sanitários;

  • A flexibilidade da tecnologia permite também a destinação de resíduos hospitalares, de reciclagem de automóveis, lodo de ETEs e biomassa em geral.